terça-feira, 24 de abril de 2007
Ditadores da bola
Pra onde foram os fazedores de gols?
"Celeiro de craques". Sem dúvidas uma expressão corriqueira e usual para se definir o maior futebol do mundo, o Brasileiro. Quem vê as escalações das melhores equipes do exterior, tem a comprovação de que alguns dos jogadores mais importantes, mais decisivos já estiveram batendo pelada em campinhos de terra batida tupiniquins. É de se louvar e de se orgulhar.
Como explicar então a carência evidente de centroavantes nos principais campeonatos do futebol brasileiro atual? Ora, tirando-se o camisa "dez", aquele que desde os tempos do inigualável Pelé tem a obrigação moral de dentro de campo encabeçar o time; e o goleiro, gênio solitário da grande área, sem dúvidas o jogador mais importante e mais místico do time é o centroavante. De seus pés nascem os gols, momentos de gozo sublime do futebol e que dão razão de ser ao esporte bretão.
Eis que atuando no Brasil, somente um paira sobre os outros e vem alcançando a hegemonia máxima da posição. Seu nome, simplório como tudo no futebol, só tem duas sílabas irmãs: Dodô. O artilheiro da estrela solitária - longe de ser a estrela solitária de um time que vem brilhando tanto quanto o astro - tem a melhor média de gols da temporada, status de ídolo máximo do time, e a eficiência que há muito não se via correr pelos campos do futebol Brasileiro.
Portanto, caro leitor, há que se preocupar com os destinos do futebol Brasileiro no tocante aos centroavantes. Logo eles, que são os principais produtores de gols e que fazem a alegria da torcida, parecem estar em extinção. No Rio, um anjo negro parece ter perdido as forças e tem em sua volta incerta, uma amarga incógnita. Vinha carregando nos pés a esperança de uma nação rubro-negra e milhões de súditos, mas agora está ferido. Com a cruz de malta no peito, um semi-deus parece ter reservado seu último ato, antes de seguir eternamente para seu lugar cativo no olimpo dos grandes craques. O Flamengo espera por Obina, e o Vasco torce por Romário. Admiradores do futebol torcem também, e pelos dois.
Agora, órfãos que estamos dos inexpugnáveis fazedores de gols, esperamos para que surjam novos semi-deuses. Que seja Dodô, astro-mor da constelação Botafoguense, que seja Alexandre Pato, esperança de alegria que nasce. A vaga está em aberto e precisa urgentemente ser preenchida para que o melhor futebol do mundo, não deixe de o ser por falta de gols.
O Brasileirão vem aí!
Reta final dos Estaduais, muitos já pensam no Campeonato Brasileiro. Faltando três semanas para o início da competição, alguns favoritos ao título (ou, pelo menos favoritos nas quinze primeiras rodadas) e ao rebaixamento.
Durante esses primeiros quatro meses do ano, dois times se destacaram pelo futebol apresentado, Santos e Botafogo. O Alvinegro Paulista fez magnífica campanha na Libertadores e no Estadual. O futebol de Zé Roberto e Cléber Santana tem sido bem acima da média. Além disso, o time não tem sentido falta de um camisa 9, centroavante de ofício. Os gols tem saído repartidos por todo o elenco. Mérito de um esquema bem armado por Luxemburgo, privilegiando a movimentação e os toques rápidos.
No Alvinegro Carioca, a evolução da equipe é nítida e animadora para os torcedores. No início do ano o time vinha em marcha lenta e o principal armador, Zé Roberto não achara seu futebol. Hoje, 23 de abril, não resta dúvida que o Botafgo tem o futebol mais vistoso dos 20 clubes da Série A. Mérito total do seu treinador Cuca, homem que teve paciência de buscar reforços dia após dia. Dentre seus achados, Luciano Almeida e Leandro Guerreiro. O clube ainda foi muito feliz em repatriar os ótimos Túlio e Dodô, esse o melhor atacante em atividade no país.
Pesa contra os dois, o elenco reduzido. Poucas opções no banco de reservas, principalmente do Botafogo, onde Cuca só tem Diguinho como homem de confiança. No Santos, os problemas se encontram na zaga, onde os limitados Adaílton e Antônio Carlos não tem sombra.
Outros três favoritos, que ainda precisam de afirmação, São Paulo, Inter e Grêmio começam correndo por fora, mas com a qualidade de seus jogadores, treinadores e elencos, não podem ser considerados carta fora do baralho. O Tricolor do Rio Grande do Sul começa, inclusive, a reeditar a garra e qualidade da época de Luís Felipe Scolari.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Brilha a estrela do Fogão
Mesmo sendo uma equipe tradicional, o Botafogo precisou de muito mais que camisa para assegurar o título da Taça Rio. Com gols plásticos e a boa forma do trio Dodô, Lúcio Flávio e Túlio, Zé Roberto e Jorge Henrique foram apenas coadjuvantes na tarde de ontem.
A torcida também fez seu papel e o Maracanã ficou pequeno para abrigar os milhares de passageiros de vans presentes no estádio. Cerca de 50 mil alvinegros orgulhosos estiveram presentes no Mário Filho empurrando o expresso botafoguense rumo a vitória.
Se o Glorioso ainda fosse uma estrela solitária, Bebeto de Freitas seria o destaque. Ele assumiu a presidência do clube em seu pior momento: dívidas, excesso de medalhões e o rebaixamento foram as maiores dificuldades no início de sua gestão.
Mas nada que um bom planejamento fosse responsável por dar a volta por cima. Com Bebeto no Botafogo, a equipe voltou a fazer parte do seleto grupo dos favoritos. Primeiro, e também pela lógica, com o vice-campeonato do Brasileiro da série B. Em seguida, após um jejum de nove anos, o clube ergueu a taça do Campeonato Carioca, vencendo a Taça Guanabara e batendo o Madureira na final.
Agora, em 2007, tem o Flamengo como principal adversário a partir do próximo domingo. Um clássico digno de final, mas que desde o Brasileiro de 92, não faz parte das pretensões divinas. Na ocasião, Júnior foi o grande carrasco e com seu talento e liderança conduziu o Flamengo a eliminar o favoritismo alvinegro.
Os tempos são outros, e o Flamengo, detentor da Taça Guanabara, não pode se dar ao luxo de declarar vitória. Quem esperava o Vasco nas finais – certeza de vitória garantida nos últimos tempos – terá dor de cabeça maior na reta final do Cariocão.
Isso porque o Botafogo foi a única equipe a marcar gols em todos os jogos e possui o atacante mais efetivo desse início de temporada: Dodô tem média de gols de 1 por partida, e mesmo quando não está bem, Jorge Henrique e Zé Roberto fazem por onde. Não podemos nos esquecer do maestro Lúcio Flávio e do professor Cuca, que mais uma vez, surpreendeu a todos com sua lição tática.
Um grupo unido, motivado e de talento. Tudo acontece com o Botafogo, inclusive o sucesso!
domingo, 22 de abril de 2007
Copa 2014
"Saracuteando"
Favoritíssimo!
sexta-feira, 20 de abril de 2007
O que marcou e o que vai marcar
No domingo próximo será a vez do Botafogo decidir a final da Taça Rio. Os torcedores vão fazer de tudo para lotar o Maracanã e acompanhar o grande momento. Eles só não podem esquecer que enfrentar o Cabofriense não significa entrar sem humildade. Muito time grande já cansou de frustrar torcedor por aí, só por causa do famigerado clima de "já ganhou". Vamos devagar...
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Cuidado! Eles estão soltos por aì.
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Fala, Juca Kfouri!
Renan Caixeiro
Coloco no ar hoje uma entrevista exclusiva com o Jornalista/Sociólogo Juca Kfouri, lendário membro da imprensa esportiva brasileira.
Kfouri, 57 anos, é formado em Ciências Sociais pela USP. Com 27 anos de profissão, é jornalista esportivo da ESPN (Brasil e International), da Rádio CBN, e do portal UOL, onde mantém um dos blogs mais visitados do país.
Gostaria de agradecer a Rafael Grohmann, futuro Jornalista/Sociólogo, por ter cedido a entrevista.
Juca fala sobre futebol, rádio, TV, blogs e suas experiências no jornalismo esportivo. Diz que das opções atuais, a Rede Globo é a 'menos pior' e que os Estaduais são 'desimportantes', tanto para ele quanto para os torcedores. Critica as mesas redondas e exalta os blogs.
Por Rafael Grohmann
Quem é José Carlos do Amaral Kfouri, para você?
Um cara que não perde a capacidade de se indignar.
Se não fosse o convite para trabalhar no Departamento de Documentação da Editora Abril, quando tinha 20 anos, quais seriam os seus rumos profissionais? Já tinha em mente alguma tese para seguir a vida acadêmica?
Eu seria professor universitário e teria escrito uma tese para demonstrar que futebol não é alienante, ao contrário.
Qual a pior pessoa que você já conviveu no futebol? E a melhor?
As piores são tantas que não caberia aqui. As melhores, além de alguns companheiros de imprensa, são o Sócrates e o Tostão.
O que falta ao Brasil para poder organizar uma Copa do Mundo decente?
Tomar consciência de que só pode fazê-la se não quiser mostrar ao mundo um país que não existe. Somos o Brasil, não a Alemanha.
A Globo, que sempre deteve o monopólio da televisão brasileira, está sendo constantemente ameaçada pela Record, da Igreja Universal. Como você analisa esse embate? É favorável ou prejudicial ao espectador brasileiro? Você acha que uma emissora de televisão, para ficar na liderança de audiência no Brasil, precisa imitar a Globo?
Entre as duas não tenho dúvida em dizer que a Globo é a opção menos pior. O dinheiro da Record não tem custo e aqueles bispos são o que são. A Globo, ao menos, é laica. Acho que há outros modelos que, se bem aplicados, poderiam concorrer com o da Globo, coisa que a Record não faz.
Como você analisa o Campeonato Paulista de 2007? Quais as surpresas positivas e negativas? O nível foi satisfatório? E a fórmula de disputa?
Acho os estaduais desimportantes, assim como os torcedores também acham, tanto que pouco os prestigiam nos estádios.
A mídia (principalmente de São Paulo), há um bom tempo, vem dizendo que o futebol carioca está falido e com times horríveis, e que o paulista é o melhor do Brasil. Analisando o início de 2007, você concorda com isso?
A imprensa séria do Rio diz o mesmo. São fatos. Tristes, mas verdadeiros. Só que a diferença de nível não é tão gritante.
Qual sua opinião sobre o fenômeno do Gol 1000?
O gol 1000 é uma idéia fixa que o Romário tem todo o direito de ter mas que não pode ser comparado ao do Pelé, que só contabilizou gols como profissional. O Baixinho já marcou mais de 900 como tal e deveria fazer sua festa em torno disso, porque é o segundo a conseguir, documentado, tal marca.
André Kfouri não considera o blog propriamente um trabalho. E você? Como você considera o blog no cenário jornalístico atual?
Considero como trabalho e muito trabalho. Ele e eu temos uma relação diferente com o blog, que vejo como uma ferramenta inevitável hoje em dia, com os prós da rapidez e os contras por conta da leviandade que permite.
Bate-Bola
- Um livro- Memórias do Cárcere
- Um jogador- Pelé
- Um time - Corinthians
- Milton Neves -
- Sociologia do Futebol - Uma ferramenta
- Cursos de Jornalismo no Brasil - Como tudo, altos e baixos
- Programas de debate de futebol no domingo na televisão brasileira - Atentado à inteligência na TV aberta
Semana que vem eu volto. Abraços!
Tiago Domingos
A cada quarta-feira, três chutes sobre jogos do meio da semana.
1) Flamengo x Real Potosí: Sem altitude, sem jogadores de qualidade, sem expressão nem no futebol sul-americano. Esse é o time boliviano. Em busca da liderança, em boa fase na Libertadores e jogando em casa. Esse é o time brasileiro. Brasil x Bolívia?!? Num precisa nem explicar: 3 x 0 Mengão. E Souza, o GRANDE camisa 9, faz um de cabeça.
2) Alianza Lima x São Paulo: Já que acusam os são-paulinos de dizerem que o tricolor só perde por acidente, hoje vai um olhar diferente: Se o São Paulo perder não será um acidente, mas uma tragédia de proporções monstruosas. O time paulista, vencendo, assume a liderança do grupo e decide a vaga em casa. O time peruano desistiu do torneio na segunda rodada e é o saco de pancadas do grupo. Tricolor 4 x 1 e bom Aloísio desencanta.
3) Cruzeiro x Brasiliense: Não é o melhor confronto da Copa do Brasil, mas tem time mineiro. A Raposa conta com a boa fase da sua dupla de ataque, que é, por sinal, invejável: o ousado Guilherme e o craque Araújo. Mas é bom o time celeste tomar cuidado que vai enfrentar um ataque com Dimba e Warley. Mas como o jogo é no Mineirão, cravo 2 x 1 pro Cruzeiro.
***
CONTANDO, NINGUÉM ACREDITA...
A cada quarta-feira, histórias "verídicas".
O pênalti é um dos momentos de mais tensão numa partida. Que o diga o Tupi, que não acerta uma cobrança da marca da cal desde de outubro do ano passado. O bom cobrador tem que ser inteligente, preciso e ter sangue-frio para assinalar o tento para sua equipe. Aliás, é uma baboseira falar que decisão nos pênaltis é loteria. Enfim, como em qualquer infração, ela não necessariamente precisa ser cobrada direta. E foi o que aconteceu no futebol dinamarquês, na semana passada. Na partida entre Brondby e Vejle, válida pela 21ª rodada do campeonato local, o atacante Ericsson, do Brondby, ajeitou a bola para cobrança de um pênalti, correu e, em vez de chutar, tocou para o meia Duncan fazer o terceiro gol do Brondby na partida.
Veja o lance
Mas não é a primeira vez que isso acontece. Em 1982, o eterno craque Johan Cruyff, na época atuando pelo Ajax, marcou da mesma maneira contra o Helmond Sports.
Veja a cobrança
Mas nem sempre isso deu certo. Pires, do Arsenal, tentou em 2005, mas...
Veja a lambança
***
ESPAÇO ABERTO
A maré ia virar pro Felipe Massa. Eu avisei. Bicho sabão esse, rs
Lambança à mineira
Começaram, neste fim de semana, as semifinais do Campeonato Mineiro. Tupi e Cruzeiro fizeram a primeira partida em Juiz de Fora, e agora fazem a segunda em Belo Horizonte. Já Democrata e Atlético jogaram primeiro no Mineirão, e fazem a partida decisiva...também no Mineirão.
A Federação Mineira de Futebol não autorizou que o primeiro embate entre as duas equipes se realizasse no campo do Democrata, alegando que o estádio José Mammoud Abbas não comporta a capacidade mínima de torcedores exigida pela federação, 15 mil pessoas. Instalada a confusão no futebol mineiro!
A diretoria cruzeirense, que nada tem a ver com a história, mostrou-se revoltada com o acontecido, e chegou a entrar com recurso no Tribunal de Justiça Desportiva pedindo o adiamento da partida ou, até mesmo, a paralisação do campeonato, tudo por causa da parceria existente entre Atlético e Democrata(nos mesmos moldes em que tiveram Cruzeiro e Ipatinga há pouco tempo). Mas de nada adiantou!
Não é difícil compreender a decisão do clube de Valadares, é apenas uma questão econômica. A renda, que é ,em parte, destinada ao clube mandante, é bem maior no Mineirão do que, por exemplo, no Ipatingão, que fica à 100 km de Governador Valadares. Portanto nada de julgar a decisão da Pantera.
E quanto aos resultados, claro, que é o que realmente interessa no futebol, tudo se encaminha mesmo para uma decisão entre os times da capital. Tupi e Cruzeiro ficaram no 0 a 0, e agora qualquer empate leva o time celeste à decisão. Já o Atlético bateu o Democrata por 2 a 1, e sábado que vem o alvinegro valadarense precisa vencer o Galo por, pelo menos, dois gols de diferença para impedir que o alvinegro da capital chegue à final.
terça-feira, 17 de abril de 2007
Quem vai ficar com a taça??
Tenho observado com muito gosto, o desenrolar do maior campeonato do mundo, a Liga dos Campeões da Europa, e se no futebol não há lógica, na Liga menos ainda. Ingleses, ex-adeptos do futebol se-segura-que-lá-vai-balão, importaram técnicos e craques e são os "donos" das semifinais. O mais intrigante é que merecem estar onde estão.
O Manchester United é melhor time da Europa, pra mim, campeão absoluto desta Liga e provavelmente também da Premier League. Sir Alex Ferguson, o maior de todos os que vi por tudo o que fez, diz às claras que este é o melhor time do Manchester que já comandou. Para não deixar dúvidas, os Red Devils sapecaram logo sete (!!!) a um no acertadinho time da Roma, que só não briga pelo título Italiano porque a Internazionale está irrepreensível. É impossível não apostar em um time que tem um Cristiano Ronaldo tão inspirado, e que parece ter enfim encontrado o equilíbrio perfeito entre a juventude (Rio Ferdinand, Patrice Evrá, Wayne Rooney) e a experiência (Ryan Giggs, Paul Scholes, Edwin Van der Sar).
O Chelsea, vem logo atrás. Tem em seu comando, um estrategista, um gênio, que não consigo odiar mesmo ele possuindo um dos piores defeitos que se pode ter no futebol: a arrogância. Os Blues tem time, tem técnico, e o velho Mourinho conhece muito bem o caminho para se conquistar a Europa. O único problema é que no caminho terão pela frente o Liverpool, algoz da traumática eliminação da temporada 04-05, quando o esquadrão de José Mourinho era ainda melhor que este. Que brilhe a estrela de Scheva, reencontrando o velho futebol.
O Liverpool para mim é um fenômeno, e este fenômeno tem nome: Rafa Benítez. Multi-campeão quando atuante na Espanha, migrou para o futebol Inglês e com todos os méritos assumiu um time glorioso, mas carente de títulos. Já ganhou a Champions League, e apesar de ter dinheiro, não investe em contratações e teima - simplesmente por política sua - em contratar nomes de reputação duvidosa como Fábio Aurélio, Jermaine Pennant, Pepe Reina e Alvaro Arbeloa e o mais impressionante é que dá certo. Com o talento inegável de Steven Gerrard, a segurança do capitão da seleção inglesa Jamie Carragher e a confiança de Peter Crouch, não é impossível acreditar no título dos Reds.
Será que valeu?
Bruno Guedes
Dentro da área jamais vi igual. Faro de gol, carisma, raça. Atributos encontrados em pouquíssimos atacantes da atual geração. Atleta daqueles que daqui algumas décadas relembraremos a nossos filhos e netos. Contudo, a importância de Romário aos clubes cariocas, desde seu retorno, após a Copa de 1994, é discutível.
Peça fundamental ao Barcelona de Johann Cruiyff, ao lado de Zubizarreta, Koeman e Stoichkov, o Baixinho largou um dos melhores times do mundo, à época, para atuar no Flamengo, no princípio de 95. Não porque as praias e as mulheres cariocas são mais interessantes que quaisquer outras, não porque o futevôlei catalão era de baixo nível, nem mesmo por um ato ideológico de alavancar os clubes do futebol tetracampeão do mundo. Romário trocou o azul-grená pelo preto e vermelho em troca de um polpudo salário, que faria qualquer atleta nos dias de hoje pensar bem antes de trocar o Brasil por Rússia, Catar, Japão e outros.
Para garantir a contratação do melhor jogador de futebol no mundo, em atividade, um conglemerado de empresas se reuniria para pagar o seu salário. O presidente do Fla, Kléber Leite, queria iniciar ali uma era de títulos e de expansão da marca do clube em todo o planeta. Os novos companheiros de Romário, invejavam seu contra-cheque, enquanto junto a outros funcionários não viam cor de seus salários.
Saldo no rubro-negro da Gávea: títulos Estaduais em 96 e 99 e a Mercosul de 99. Jogando pelo Flamengo o Baixinho nunca conseguiu marca melhor do que o 11º lugar no Brasileirão. O clube também não se classificou para Libertadores com o camisa 11 mais famoso do planeta no ataque. Por outro lado, sobraram dívidas, mais de dez milhões de dólares, que são pagos até hoje, quase uma sete anos depois da sua última passagem pelo ataque flamenguista.
Depois de idas e vindas do Flamengo para o exterior, em janeiro de 2000, Romário volta ao clube no qual estreou profissionalmente, o Vasco. Sua passagem deixou muitas marcas e alguns títulos a mais. Logo de cara, atrito com Edmundo, o maior ídolo da torcida cruzmaltina. Em reportagem da revista Placar, se verificou que juntos, os dois atacantes recebiam oitocentos mil reais por mês. Salários de padrão europeu, que obviamente o clube de São Januário não conseguiu arcar, afinal de contas, sua arrecadação não chega aos pés de equipes medianas do Velho Continente. No Vasco, Romário foi pela primeira vez campeão e artilheiro do Brasileirão, em 2000. Venceu também a Mercosul do mesmo ano. Em contrapartida, Romário também acumulou divídas a receber. Tornou-se um sócio do Vasco. Vai e vem quando quer, e mais recentemente, ao lado de Eurico Miranda, tornou o clube refém do projeto Gol 1.000.
Outro grande do Rio a vestir a ter Romário vestindo a sua camisa foi o Fluminense. Em pouco mais de dois anos, alguns gols e nenhum título. Com salário pago integralmente pelo patrocinador do clube, eram normais as reclamações do resto do time acerca dos privilégios do Baixinho. Apesar de não dever nada ao atacante, nada acrescentou a história centenária do Flu a passagem de Romário pelas Laranjeiras.
Consagrado eternamente por suas atuações e gols na Copa dos Estados Unidos, sua vinda para o Brasil sacudiu o mercado do futebol nacional. Porém, deu a falsa impressão que os amadores clubes dessas terras, poderiam desembolsar fortunas para pagar grandes craques do futebol mundial.
Craque marcado para sempre entre os maiores de todos os tempos, Romário vai encerrando a carreira sem ter deixado nenhuma contribuição aos clubes brasileiros. Nada, absolutamente nada ganharam os clubes que nele investiram. Enquanto ele, bem, continuará recebendo até 2015, no mínimo, quase quinhentos mil reais, pagos Vasco e Flamengo mensalmente.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Dá-lhe Massa!!!
Assim como nas duas primeiras provas do ano, Felipe Massa dominou os treinos livres (o que fez todos acharem que ele era o grande favorito ao título esse ano) e partiu confiante na corrida. Mas dessa vez foi diferente, teve uma boa largada, mesmo com o carro mais pesado que Hamilton conseguiu se manter a frente e depois da primeira parada foi só guiar o carro até a linha de chegada para levantar o seu primeiro troféu do ano.
Massa tinha que ganhar de qualquer jeito essa corrida no Bahrein, porque os seus adversários não podiam se distanciar muito e principalmente para a Ferrari não escolher o filândes Raikkonen como o primeiro piloto. A Ferrari já deu mostras que não tem 1º e 2º piloto, mas seria bem provável que se o finlândes vencesse a corrida e o brasileiro não conseguisse um bom resultado na prova como ocorreu nas duas primeiras seria muito complicado para o Felipe Massa não ficar secundário na escuderia italiana.
Com essa vitória do Massa, e com a 5ª posição de Fernando Alonso o Campeonato se embolou todo e ficou mais claro ainda que qualquer um dos quatro - Felipe Massa, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso e Lewis Hamilton - pode se sagrar campeão. Fazia tempo na F1 que eu não via um ano com tantos pilotos bons e com quatro brigando pelo título.
Vale também um comentário sobre o novato inglês Lewis Hamilton. É muito cedo pra o enaltecer grandiosamente ou ainda menos o comparar com Schumacher, como alguns já o fazem. Mas que ele promete ser um excelente piloto e tem jeito e atitude para ganhar título isso tem. A prova disso é que ele tem deixado o bicampeão Fernando Alonso para trás e já computa os mesmo 22 pontos que o espanhol, mesmo a Mclaren o colocando como segundo piloto.
Já o Corinthians pelo menos dessa vez acertou. Trouxe Paulo César Carpegiani, um técnico que não tem muitos títulos mas tem grandes feitos no futebol. Foi campeão da Libertadores e Mundial pelo Flamengo em 81 e também levou o Paraguai até as Oitavas-de-Final da Copa do Mundo da França em 98 (perdendo o jogo épico para a França no Gol de Ouro). Quando dirigiu o São Paulo tabém fez um belo trabalho mas não ganhou títulos. Só vejo dois problemas para o trabalho de Carpegiani no Timão: que ele não treinava um time brasileiro há cinco anos e outro ainda mais grave, de que no Corinthians tudo tem dado errado.
Poderia ser, mas não foi!
O folclore do futebol gira em torno de muitas possibilidades que certamente mudariam o curso da história do esporte bretão pelo mundo. Em cada canto, os amantes, torcedores e até mesmo os simpatizantes, lamentam ou agraciam situações que sequer aconteceram.
O esporte pagão é uma ciência inexata recheada de hipóteses que, se ocorressem de fato, não teriam tanta graça quanto a suposição delas terem sido realidade. O que seria do futebol sem o gol mil de Pelé, ou pelo menos se Romário não insistisse em tentar alcançar a marca? Sem culpar o Rei, mas o Baixinho não precisaria ser derrotado pelas dores da exaustão. Da mesma forma, o zagueiro do Bahia poderia deixar a bola entrar no jogo na Fonte Nova.
E se Maradona não fosse pego pelo dopping em 94, tudo seria diferente, pelo menos para os hermanitos. Nem era preciso citar a mão de Deus, mas o próprio Criador quis assim. Afirmação que vale tanto para o estilo revoltado do craque argentino, quanto para a audácia do juiz egípcio em validar o gol.
Ah, como não esquecer. Roberto Baggio, artilheiro que foi capaz de cometer o único pecado capital de sua carreira na final de uma Copa do Mundo: perder o pênalti.
Craques por si só cometem equívocos, e o de Ronaldo foi jogar a final contra a França após sofrer uma convulsão. Pressões do contrato com o patrocinador que custaram caro a Seleção Canarinho. Será que o mundo conheceria Zidane se a história fosse outra ? Provavelmente sim, mas não com tanta idolatria.
Mesmo uma equipe tetracampeã comete equívocos. O Brasil seria outro caso Parreira não fosse técnico em 2006, ou pelo menos se a imprensa não insistisse no quadrado mágico? Ainda nesse mesmo tempo, Canavarro não receberia a Bola de Ouro se Materazzi não fosse mais brilhante. Zidane poderia ter uma retirada triunfal não fosse pela cabeçada no zagueiro italiano? A Itália fez por onde, mas a França clamou por Zizu no final daquela partida.
Só para concluir, se a máxima da tradição pesasse diante de jogos decisivos, o Campeonato Carioca e o Paulista paravam nas semifinais. O Gaúcho e o Mineiro teriam a mesma final todos os anos. E o Baiano, ah, esse terminava empatado, com tanto patuá junto não teria defesa que fosse superada.
Como se vê, o futebol apresenta fenômenos que nem Freud, Peirce ou Eistein seriam capazes de explicar. Afinal, ele é um esporte para leigos.
domingo, 15 de abril de 2007
"Saracuteando"
Empate com sabor de derrota
sábado, 14 de abril de 2007
Ele vai sair desta?
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Semana de gols
Só o Manchester United perseguiu a meta como ninguém e encaixou nada menos que sete gols. A Roma, que no jogo de ida venceu por 2 a 1, foi barrada pela brilhante atuação dos Diabos Vermelhos que jogaram em casa essa semana. Cristiano Ronaldo foi destaque mais uma vez e marcou dois gols. O português está sendo chamado pelos lusos de "Orgulho Nacional". As especulações sobre sua ida ao Real Madrid cresceram. Será que ele irá integrar a equipe dos tradicionalmente galácticos ou irá renovar com o Manchester? A Liga dos Campeões, cada vez mais imperdível, também exibiu essa semana a derrota do Bayern de Munique para o Milan por 2 a 0. A semi-final agora contém apenas um time italiano entre três times ingleses. Para quem gosta de futebol com velocidade e muitas finalizações, vale a pena acompanhar os campeonatos europeus. E sábado e domingo tem mais por aí...
Mas, falando do futebol de habilidades, o Campeonato Carioca deu o que falar. Aliás, habilidade é um aspecto que não foi tão explorado quanto se imaginava no clássico de quarta-feira. A zaga do Botafogo deixou a desejar em diversos momentos. Um time, na minha opinião, com qualidade técnica superior a do Vasco não precisava ter levado a partida para os pênaltis. Contou com a sorte do seu goleiro e o erro do batedor vascaíno para chegar a final. Fora o Romário que se esticou ao máximo para alcançar aquela bola e terminar logo com essa novela mexicana chamada "Gol Mil". Agora estão até falando que ele quer ir tentar fazê-lo com a camisa do Flamengo, no Maracanã, durante a Libertadores. Está mais do que na hora de alguém pôr um limite nisso. E domingo tem final da Taça-Rio.
Amanhã o Tupi receberá o Cruzeiro pelo Campeonato Mineiro. Vamos acompanhar a Raposa na sua caça o Galo Carijó. Muitos apostam numa final de campeonato bem clássica...
No Campeonato Paulista o Palmeiras ganhou mas não conseguiu se manter na disputa. Quero ressaltar aqui que por toda parte só se comenta da atual campanha pífia do Corínthians e se esquece da gradativa recuperação do Verdão. Se continuar assim, pode-se esperar uma bela colocação no Brasileiro.
Acrescentando a um fim de semana de Campeonatos Carioca, Mineiro, Paulista e Inglês, temos ainda um espetáculo de futebol argentino: Boca Juniors X River Plate. O La Bombonera com certeza vai tremer mais uma vez, e Diego Maradona que tanto queria ir assisitir, não vai poder porque teve que ser internado de novo. Esse aí é outro que não se resolve na vida. As drogas não largam dele, que chato isso.
Para os amantes de futebol, o entretenimento de sábado e domingo já está completo. E que continuem fazendo muitos gols.

